sábado, 4 de julho de 2015

Ao Porto


Da cidade ficam as imagens das casas emparelhadas umas nas outras, formando um quadro de cores, ou uma espécie de poesia urbana que se entranha por dentro. No rio bóiam barcos e recordações de um país com pronúncia do norte. Há, neste espaço, uma simpatia palpável. As pessoas são calorosas e olham-nos nos olhos, sem medo. A beleza da cidade do Porto só é superada pelo calor humano das suas gentes. Gosto de pessoas assim, sem medo de serem autênticas. Gosto de quem cumprimenta um desconhecido com um “bom dia” e um sorriso genuíno. Sabe-me bem. Faz-me sentir em casa, mesmo estando a centenas de quilómetros. É isso que me atrai no norte: as suas pessoas. Não só a sua beleza. Porque as cidades não vivem de si, mas de quem nelas habita: são feitas de gente. E as gentes do Porto são feitas de norte. Esse norte tão frio que as torna tão calorosas. Há, realmente, um Porto onde se morre de amor. Uma cidade que se dissolve nos corações de quem nela habita. E é transmitida e reproduzida fielmente em cada canto, no sotaque carregado das conversas de rua. Ou nos gestos e na bondade dos nortenhos. Há um Portugal suave, aqui. Um espaço onde sonhar é permitido.

 

PedRodrigues

sábado, 27 de junho de 2015

[Sem título]

Não peço a ninguém para entrar;
não obrigo ninguém a ficar;
não gosto que se demore,
quem deseja sair.

PedRodrigues

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Lição de combate número dois


Tentei aprender contigo o canto das sereias. Diziam ser um perigo. Uma mulher que nos encanta, é uma mulher que nos mata. E essa morte é lenta, quase como um sono manso que se apodera de nós sem darmos conta. Quando nos apercebemos já estamos demasiado presos. As nossas horas começam a medir-se numa escala diferente daquela que nos ensinaram: não há tempo: horas, minutos, segundos. Tudo se passa a medir em silêncios, fôlegos, vontades, conversas, cheiros. Tudo se passa a medir em ti. Tudo é feito de ti. Não só o como, ou o porquê, também o quando: “quando ela me olhou”; “quando ela me beijou”; “quando ela me tocou”. Agora os instantes são feitos do teu canto, ou do teu silêncio. E realmente não sei o que será mais perigoso: se a forma como me embalas quando me falas; se a forma como sinto a tua falta quando nada dizes. É um perigo permitirmos que alguém controle a nossa vida. Mas eu rio-me face ao perigo.

 
PedRodrigues