domingo, 24 de maio de 2015

Às mulheres que se sentem sós


Agora adormeces todas as noites sozinho. Mesmo quando encontras alguém com quem partilhar a tua cama. Nada te parece preencher. Nem os beijos, nem os toques, nem o sexo. Despes a roupa, mas pareces vestir uma armadura. Falta intimidade. Falta esse sentimento estranho de te quereres deixar vulnerável e à mercê de outrem. Sentes-te vazio. Agora talvez percebas o que te disse, na nossa última conversa. Lembras-te? Perguntaste-me se havia alguém. Se te estava a deixar para ficar com outro. Depois um silêncio enorme. Uma coisa muda, cheia de cólicas e sentimentos emparelhados ao trambolhão. Lembras-te da minha resposta? Disse que não te estava a deixar por outra pessoa. Não te estava a deixar por alguém. Estava a deixar-te porque estava farta de ficar sozinha. Compreendes agora?

 

PedRodrigues

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Croniquinha de um dia de sol


Mudei as roupas porque o Verão estava a chegar. O Inverno tinha passado. Aparentemente, tudo passa. Larguei os casacos e os cachecóis que me protegiam do frio quando não estavas; arrumei as mantas que nos aqueciam nas noites de cinema partilhadas. Preparei-me para o sol e o calor de outros dias – com outras que cores que não eram as tuas. Não há Inverno que dure para sempre. Nem dores que um dia não deixem de doer. Resolvi, então, vestir-me de acordo com o tempo que se fazia sentir lá fora. Preparei-me para as noites amenas de luares exóticos; os céus vestidos de azuis joviais; os mares pintados de fogo ao final do dia; os pés na areia, o corpo no mar... Meti na cara o meu melhor sorriso. Reencontrei o meu melhor olhar – aquele que um dia disseste desarmar-te, e que julgava ter perdido para sempre. Levantei a cabeça e caminhei. Caminhei. Às vezes só é preciso um dia de sol, para percebermos que o cinzento da vida é passageiro.

 

PedRodrigues

domingo, 17 de maio de 2015

Coração


Há amores que se perdem
Porque o coração
Não tem sentido de orientação.

 

PedRodrigues