segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

A noite


A noite é daqueles que se embebedam ou drogam para esquecer todos os desgostos de amor.
É dos poetas, que metem os sonhos no papel.
É de todos aqueles que se escondem da pressa dos dias.
É dos decadentes que procuram o brilho nas luzes da cidade.
É dos amantes, que amam com todas as suas forças e não recebem esse amor de volta.

 
PedRodrigues

sábado, 13 de dezembro de 2014

Breve reflexão sobre a puta da morte

Ao Pedro e à Patrícia

Ninguém sabe o momento certo. O segundo exacto em que a última molécula de oxigénio é respirada. Num segundo ainda cá estamos, no outro, já não. Há uma linha ténue que separa estas duas condições. Uma margem temporal imperceptível.  Num segundo, uma mãe segura o filho nos seus braços, ainda vivo; no outro, tem-no morto, nos braços. O que existe depois é a revolta. A dor. O vazio. O espaço que fica por dentro e que nada parece ser capaz de preencher. Diz-se que o tempo passa e tudo cura. Mas as marcas acabam por ficar connosco para sempre. O vazio pode diminuir, mas não deixa de ser vazio. Agora não há risos, nem brincadeiras, nem gargalhadas. Agora não há palavras de revolta, nem guerras, nem birras. Não somos estrelas no céu porque foi-nos dado um lugar na terra. Um propósito mundano. Somos feitos da mesma matéria: cada um no seu espaço. Os mortos não nos olham de cima. Depois daquele segundo resta apenas uma ausência cega – talvez por isso nos fechem os olhos. A morte é a diferença entre a alegria e a tristeza. A companhia e a solidão. Quando morre alguém que amamos, parte de nós morre com essa pessoa. Fica a saudade. E a saudade é um infinito muito grande no peito:  nada o preenche.

Puta que pariu a morte!


PedRodrigues

domingo, 7 de dezembro de 2014

07/12/2014

Tudo o que preciso é do toque dos teus lábios ao adormecer
E do brilho dos teus olhos ao acordar.

És o único ponto cardeal que necessito.

PedRodrigues